Imersão Geek

Tecnologia do Blogger.
"Um suspiro subversivo em uma indústria cada vez mais utilitarista. Talvez tudo que precisamos é de mais outro dia de Sol"
Com catorze indicações ao Oscar, La La Land: Cantando Estações, tem a forte premissa de ser um filme que será para sempre lembrado na história do cinema, um verdadeiro clássico numa era sem clássicos. Mas como todo filme de grande sucesso, as opiniões divergem, e com esse sucesso de Damien Chazelle não é diferente. As linhas entre genialidade e simplismo são tênues, o que acarreta em opiniões bem fortes sobre o longa.
Dispensam-se comentários sobre a responsabilidade de realizar uma crítica sobre esse musical, com as proporções que adoradores e odiadores do filme defendem suas teses. Porém, é necessário que cada um possa fazer sua própria análise para interpretar a forma como algum determinado trabalho ressoou para si, com La La Land não é diferente. Uma pessoa não deve ter sua opinião diminuída porque não gosta de 'Lars Von Trier' ou não tem paciência para 'Divina Comédia', pois afinal tudo sempre irá gerar debate (e isso é ótimo). Conclui-se aqui essa observação.
A trama é desenvolvida em Los Angeles, onde uma atriz em busca de ascensão e um músico frustrado cruzam seus destinos. Mia (Emma Stone) é a mocinha que trabalha em uma cafeteria e passa por inúmeras audições, sem sucesso, enquanto Sebastian (Ryan Gosling), anseia em abrir um clube de Jazz e reascender o espírito desse estilo tão nobre nos corações dos jovens e mais saudosos.
Não é nenhuma surpresa que eles se apaixonem eventualmente, e isso fica bem claro logo nos primeiros encontros entre os dois, onde uma relação de amor e ódio bem divertida floresce. A cena do sapateado é um gatilho para as relações que nascem  do casal no processo da aceitação de sua paixão.
Para os mais atentos, ao longo do filme várias referências remontarão a clássicos do cinema, incluindo 'Grease' (1978), 'Cantando na Chuva' (1952), 'Charity, meu Amor' (1969) e 'Moulin Rouge!' (2001). Se aceita o desafio, tente não deixar nenhuma escapar, La La Land também se constrói na beleza dos pequenos detalhes.

A escolha dos papéis não poderia ser melhor, com um destaque especial para Emma Stone no papel de Mia.
Deslumbrando quaisquer pré-julgamentos, Emma Stone dá um show ao transparecer todos os defeitos de sua personagem, o que abrange suas incertezas, medos e insegurança. Chega a remeter um ponto chave do filme, que é a habilidade de transformar esses conflitos internos em algo muito acrescentador a obra. De tal forma, Mia é uma mulher como sua namorada, irmã e avó, desmentindo toda a idealização feminina da indústria em seus muitos anos de existência.
Ryan Gosling também tem o seu mérito: aprendeu em três meses a tocar piano com maestria só para executar com perfeição o papel do músico. Inclusive, o foco que o roteiro dá no modo que Mia e Sebastian se tratam no começo do longa é um alívio para os mais exigentes em verossimilhança, afinal, o filme pode destacar o belo, mas não entra em contradição na forma que ambos se aproximam, visto que não cria fantasias de um amor à adolescente.
Concorrendo a figurino no Oscar, não seria espantoso também se Mary Zophres levasse a estatueta por seu trabalho, acrescentando uma paleta de cores de encher os olhos. Da mesma forma que uma criança fica entretida com uma animação colorida, quem tiver a oportunidade de assistir cada uma de suas cenas irá se deparar com uma fotografia impecável, que é um dos mais positivos legados dessa direção.
La La Land se sobressai ao valorizar aspectos, na maioria das vezes, deixados de lado nas produções do cinema contemporâneo.
Impossível não falar sobre a trilha sonora, que ofusca do início ao fim. A abertura com 'Another Day of Sun', juntamente a outras músicas, como 'Someone in the Crowd' estão recheadas de Foreshadowing (e não, isso não é um spoiler), mas acredite, ao assistir tem-se mais que uma simples surpresa no desenrolar da história até seu desfecho.
'The Fool Who Dreams' merece ser citada pelo trabalho de canto de Emma, que teve de ter aulas de canto para atuar. Contudo, o destaque aqui é para 'City of Stars', indicada ao prêmio de melhor canção original, pela academia. Acredite se quiser, mesmo os mais receosos com musicais (como eu), se surpreenderão com esse show de jazz (quem diria!) que parece ter sido elaborado por alguém com sinestesia.
O desenvolvimento é um ponto problemático, pois nem todo mundo é conquistado logo nos primeiros minutos. São duas horas que podem ser tanto monótonas quanto um deleite para o espectador. Avaliando isso, essa pode ser uma das vulnerabilidades do conjunto. O ponto é que isso contribui para a modelagem de um retrato do cotidiano, outro recurso puramente artístico.
Tendo isso em vista, com um roteiro impecável e imagens de tirar o fôlego, La La Land é um filme que as pessoas deveriam ver ao menos uma vez na vida para se encantar (e como!). Em balanço, a avaliação é positiva, com decréscimos por opinião pessoal (Confesso que muito hesitei em fazê-lo) devido a evolução da trama, o que não apaga, de forma alguma, que é uma das jóias da estante da querida cinematografia.
Avaliação Final: 9,5 (Excelente+)
Trailer Oficial

Recomendado:
- O Mágico de Oz (1939)
- Cantando na Chuva (1952)
- A Noviça Rebelde (1965)
- Dançando no Escuro (2000)
- Moulin Rouge! (2001)
Compartilhe
Tweet
Pin
Compartilhe
No comentários
"Animações nos fazem ver uma porta abrir"
É inegável a força da Disney e seu talento para produzir grandes obras que encantam todas as idades. Com Frozen: Uma aventura congelante, não poderia ser diferente. As famosas canções derivadas do longa-metragem provavelmente já invadiram a cabeça do leitor, visto a enorme febre que se tornou o filme. Repleto de cenas divertidas, adianto-lhes que é uma animação ótima para se passar o tempo, caso seja adulto, enquanto uma possível grande obsessão para os fãs pequeninos.
Inicialmente, o estúdio Walt Disney planejava lançá-lo por uma perspectiva completamente diferente da retratada, com uma Elsa vilã, conforme o conto original de Hans Christian Andersen: A Rainha da Neve. O roteiro, por motivos históricos adversos, foi deixado de lado, sendo retomado em outras perspectivas até chegar na atual: Com uma protagonista com a qual o telespectador, principalmente as crianças, possam se identificar. O motivo para tal mudança foi nada mais nada menos que a versão da música 'Let it Go', apresentada aos roteiristas, que tornou a soberana gélida mais simpática e agradável.
A história se passa no reino fictício de Arendelle, onde toda a trama é discorrida. As protagonistas são as irmãs Elsa e Anna, desenvolvendo sua relação de irmandade. Quando menores, brincavam e eram inseparáveis, até a descoberta dos poderes de manipulação de gelo de Elsa, que mostraram-se problemáticos para com a família.
Enquanto brincavam juntas, Elsa acaba por ferir acidentalmente a irmã. Os pais, ao saberem do ocorrido, vão atrás de ajuda mística para tratar do caso. Assim, pedem ao Rei Troll que remova da memória de Anna o incidente que sofreu decorrente dos poderes da mais velha. Devido a isso, Elsa começa a se distanciar da caçula, com medo de machucá-la novamente. Esse é o momento que quem assiste vai tirando pontos pouco a pouco: o mal aproveitamento da relação fraternal entre as protagonistas.
Como dito anteriormente, o filme é excelente para o público infantil, que é atraído por inúmeros motivos, como o realismo mágico, a ideia de liberdade, suas canções, cores e vividez. Contudo, em uma análise do psicológico dos personagens, logo se percebe que os personagens são rasos, o que incluem as protagonistas do longa.
Olaf, o boneco de neve, segue o script enquanto personagem sidekick engraçadinho, o que pode ser um ponto ambiguamente bom e ruim
Elsa é uma jovem rainha problemática que tenta lidar com seus conflitos internos, mas acaba tendo seu brilho ofuscado pelo pouco trabalho em seus laços de amor com Anna, além das sub-tramas que enrolam o enredo e mostram-se desnecessárias para a construção de um microrrealismo psicológico. Esse ponto é muito melhor empregado em outros filmes do gênero, que incluem Zootopia (2016) e Mulan (1998).
É mais escancarado quando se trata da princesa de Arendelle: Anna, que segue o estereótipo de Hollywood de garota amável: desastrada e carinhosa, clichê esse que não é novidade nenhuma. Nesse caso em específico, a personalidade da personagem torna-se um empecilho para que as relações criadas na trama desenvolvam o enredo.
Olaf é um elo complicado: Enquanto ele segue a fórmula de coadjuvante-torneira-cômica, pode vir a enxugar toda a atenção para si, em um filme em que quem deveria brilhar é infelizmente muito mal aproveitado. Tenho de parabenizar o excelente trabalho de Enrolados (2010), que conseguiu equilibrar esses pontos, com a exímia dupla de Rapunzel com Pascal, sem grande desfoco em suas nuances.
Um ponto que a produção não economizou nem um pouco foram as músicas fortes e/ou divertidas. Muito além de 'Let it Go' (ou simplesmente 'Livre Estou'), 'Por uma vez na eternidade' e 'Vejo uma Porta Abrir' são uma das grandes heranças desse filme. Há muito pouco que se pode entrar em demérito. A direção sonora está de parabéns por esse feito.
A animação é muito bela, com uma gama de energia enorme fluindo pela tela a todo momento. Peca-se apenas na modelação das personagens femininas, que tem estrutura muito semelhante: olhos grandes, narizes pequenos, delicadeza e corpo magro igual bonecas Barbie, o que pode ser questionado entrando em âmbito sociológico.
Porém, a Disney acertou novamente na exploração de personagens mais independentes com o levantamento do feminismo. Só o simples fato de Anna se importar mais com Elsa que um namorado já é um ponto gigantesco. Novamente, o problema reside na forma que as relações foram pensadas no roteiro.
Por fim, o desfecho é interessante. Há reviravoltas que não precisavam ter sido exploradas de tal forma e deslizes gerais que, para uma produção de tal porte, são muito difíceis de se compreender sua raíz. A bilheteria tem seu sucesso justificado, mas exigindo o que se sabe que a Disney pode fazer (e não fez), Frozen: Uma Aventura Congelante pode ser tido como superestimado. 
Avaliação final: 7,5 (Bom+)
Trailer Oficial

Recomendado:
- Mulan (1998)
- Lilo & Stich (2002)
- Enrolados (2010)
- Valente (2012)
- Zootopia (2016)
Compartilhe
Tweet
Pin
Compartilhe
No comentários

Sobre mim

Nickolas de Angelo é paulista, estudante, escritor, escorpiano convicto e blogueiro nas horas vagas.
Seus hobbies incluem astrologia, tarot, crítica, escrita, jogos online e aparentar ser mais novo do que realmente é.

Tags

Animação Comédia Critica Drama Filmes Musical

Imersão Geek - 2017 | BeautyTemplates